Toda conversa entre serviços tem dois tempos: a decisão que precisa acontecer agora e o registro que precisa durar anos. O cofre de dados cuida do segundo — o arquivo histórico, a série temporal, a memória de longo prazo. No dia 21 de outubro, a fundação entregou o primeiro: a memória de curto prazo, a caderneta de rascunho onde as mãos anotam uma ordem, o conselheiro deixa um recado e os sentidos encaminham um dado fresco.
A decisão: morar na mesma casa
A memória de curto prazo não ganhou prédio próprio. Ela mora na mesma casa do cofre de dados, num compartimento separado — mesma máquina, mesma proteção, mesma régua de backups, isolamento lógico total. Por quê? Porque a fundação prefere uma casa bem vigiada a duas casas vigiadas pela metade: menos endereços para proteger, menos superfície para os muros guardarem, e a conversa entre a memória curta e a longa acontece por dentro, na rede privada interna orquestrada pelo maestro das entregas.
As três regras da caderneta
- Persistência sempre ligada. Uma memória de trabalho comum se apaga quando a luz sai. A nossa não: cada rascunho é gravado em disco de forma contínua, e um reinício da casa não perde uma linha. A memória em memória com persistência é um padrão maduro — velocidade de rascunho, segurança de arquivo.
- Teto de 768 MB e nada de descartar por pressa. A caderneta tem limite de memória definido em receita e uma política explícita: nunca descartar por pressão de espaço. Quando as filas de execução entrarem em operação — e elas entram na fase de execução —, perder um recado porque a memória ficou cheia é o tipo de silêncio que custa caro. O teto existe para conter; a política existe para não mentir sobre o que está guardado.
- Senha até no batimento cardíaco. A verificação de saúde — o “você está aí?” que o maestro pergunta a cada serviço — também exige autenticação. Nem o ping mais simples do serviço é anônimo: quem não se apresenta, não pergunta nada.
Um endereço para todos os que falam
As mãos, o conselheiro e os sentidos usam um único endereço interno para chegar à memória de curto prazo. Um endereço, uma senha, uma forma de falar — trocar a peça por trás desse endereço não exige que nenhum dos três desaprenda nada. É o mesmo princípio do condomínio de código: um contrato claro vale mais que três convenções.
O que vem pela frente
A memória de curto prazo foi a última peça de guarda da fundação. A fase seguinte é fazer os serviços trabalhar: o fiscal automático de qualidade entrou no mesmo dia, e as primeiras provas de conceito dos sentidos vêm a seguir. Com as duas memórias no lugar — a caderneta e o arquivo —, o sistema finalmente tem onde pensar.