Quatro vezes por ano, o mercado americano — e o brasileiro — entra num regime próprio: a temporada de resultados. Empresas anunciam números, ações pulam percentuais inteiros em minutos e a volatilidade vira o ator principal. É o primeiro caso de uso do Cervejeiros.Club — e o módulo que recebeu o tratamento mais completo: um radar dedicado.

O motor de reação: D−1 → D+1

O radar acompanha a janela crítica ao redor do anúncio: do fechamento do dia anterior (D−1) à reação do dia seguinte (D+1). É nessa janela que a história se escreve — o preço que “esquentou” antes do anúncio, o movimento de abertura, o corpo do dia.

Para cada empresa candidata, o radar calcula um escore de 0 a 100 que combina:

  • reação média histórica — quanto esse papel costuma se mexer em anúncios anteriores;
  • volatilidade implícita inflada — o mercado já está cobrando caro pelo movimento esperado?
  • consistência dos anúncios recentes — a empresa surpreende ou segue o roteiro?
flowchart LR A["D−1<br/>congelamento<br/>do retrato"] --> B["D0<br/>o anúncio<br/>acontece"] B --> C["D+1<br/>reação do<br/>mercado"] C --> D["D+5 · D+15 · D+63<br/>confronto com o<br/>retrato congelado"] D --> E["Índice de acerto<br/>rolante por estratégia"] E --> F["Pesos atualizados<br/>para o próximo ciclo"]

O filtro ±10%: procurando os extremos

O radar não se interessa por resultados mornos. O filtro de candidatos de alta volatilidade busca os papéis com histórico de movimentos severos — aqueles em que a reação pode reescrever a posição de quem está exposto. São eles que entram no foco do scanner, com o escore ordenando a fila.

Glossário rápido do radar
  • D−1, D0, D+1 — respectivamente: fechamento do dia anterior ao anúncio, o dia do anúncio e a primeira reação do mercado.
  • Reação média absoluta — o tamanho médio do movimento que o papel costuma apresentar em anúncios anteriores.
  • Candidato de alta volatilidade — papel cujo histórico de reações passa pelo filtro de severidade: movimentos de dois dígitos na janela do anúncio, na casa dos ±10%.
  • Escore do radar — nota de 0 a 100 que ordena a fila de candidatos.
  • Fontes dos anúncios — comunicados oficiais: no Brasil, os registros da CVM; nos Estados Unidos, os filings públicos do SEC EDGAR.

O aprendizado que nunca para

Aqui está a parte que mais nos orgulha: o radar mede os próprios erros. Antes de cada anúncio, o sistema congela um retrato do que sabia naquele momento; depois, compara o retrato com o que realmente aconteceu — no dia seguinte, na semana, no mês, no trimestre.

Esses confrontos alimentam um índice de acerto rolante por estratégia: quem acerta, ganha peso nas decisões futuras; quem erra, perde. O sistema não é estático — ele evolui com o histórico que acumula, sempre sob a régua do backtesting honesto.

A régua não é só interna. A literatura acadêmica sobre reação a resultados dá o piso de comparação: modelos de previsão de direção no anúncio, medidos por empresa, acertam na faixa de 52% a 58% — um pouco acima do aleatório, muito longe de certeza (estudo de referência: Katz, 2018, firm-level hit rate). É essa honestidade estatística que o índice de acerto persegue a cada ciclo:

Os percentuais da própria plataforma são medidos no índice de acerto rolante — e serão publicados quando a amostra amadurecer.

Scanner, não sala de leilãoO radar é um scanner do dia anterior ao anúncio: organiza candidatos, escores e contexto antes da janela crítica. A operação no pregão do dia do anúncio é outro módulo, com as próprias travas — o radar aponta a fila, não dispara ordens.

Onde isso aparece para você

Na prática, a temporada de resultados vira um painel vivo: as empresas mais quentes do trimestre, o escore de cada uma, o contexto explicado em linguagem natural pela IA — no papel certo, como contamos em o motor de decisão. E tudo, como sempre, atrás dos portões de risco.

O radar de resultados é a âncora do primeiro ciclo de produto — e a construção dele, com todas as decisões, está no diário de bordo. A plataforma vive em cervejeiros.club.